Treinamento Para Escalada Esportiva
PARTE I
PARTE II
PARTE III
PARTE IV
PARTE V
|
 |
|
|
|
PARTE I
Treinamento Escalada Esportiva
A escalada esportiva é um dos únicos esportes no mundo que não tem
limite em sua dificuldade, pelo menos ainda, e que mistura quase as
mesmas características da ginástica olímpica e do ballet. Da ginástica
pela força e flexibilidade, e do ballet pela sua expressão corporal.
Quando a escalada esportiva passa da graduação de 7a, o escalador com
certeza sentirá a falta de algum treino específico por trás. Imagine
então, os profissionais estrangeiros que escalam 9b (5.13a) em diante,
os treinos que devem realizar para suportar a dificuldade.
Como todo o treinamento esportivo, sempre haverá uma certa dedicação, e
que posteriormente irá determinar o seu nível. Dentro dessa dedicação, o
atleta terá que respeitar algumas regras do tipo:
Sempre faça algum aquecimento: O aquecimento sempre consiste de
alongamento e de iniciar a atividade gradativamente, para evitar lesões;
Varie sempre os treinos: A variação dos seus treinos sempre o
manterá longe de lesões, saudável e com boa performance nas escalada
principalmente, pois há muito diversificação da técnicas;
Personalize seus treinos: Não há dois escaladores iguais, cada um
tem sua força, sua flexibilidade e resistência, além da sua “cabeça”;
Especificar os objetivos do seu treinamento: O objetivo do
treinamento será sempre para melhorar sua performance em todos os
aspectos, mas sempre haverá trabalhos específicos para superar sues
pontos fracos;
Aumente seu volume de treinos apropriadamente: Sempre haverá uma
hora que seu organismo se acomodará ao tipo de treino, use o bom senso e
intensifique-o para melhorar sua performance;
Não tenha expectativas a curto prazo: Não pense você que uma
semana ou um mês de treinamento fará de você um super escalador. Os
resultados dos treinos só aparecerão a um médio ou longo prazo, como
qualquer atleta;
Tire sempre um tempo de descanso: Se você pensa que o corpo não
precisa de férias, está enganado;
Use o instinto na sua recuperação: Você terá sempre que usar e
respeitar o bom senso para saber que seu corpo está cansado e precisa se
recuperar. Isto evita o “over training”;
Mantenha-se motivado: A parte psicológica é muito importante para
a parte física. Escale com seus amigos, mude de área de escalada, viaje
para manter sua fissura por escalada;
Mantenha-se saudável: De novo, ouça o seu corpo e dê um tempo
para ele se recuperar de alguma lesão. Se não respeitar, talvez tenha
que abandonar o esporte. |
|
 |
|
|
|
 |
| |
|
PARTE II
Uso das Mãos na Escalada Esportiva
Na escalada esportiva se tem impressão de uma atividade que se emprega
somente a força, que o escalador tem que ser forte. Mas quem realmente
pratica não concorda. O escalador não precisa de força o tempo todo e
sim de uma parte técnica. Assim, irá economizar energia com o uso
corretos das técnicas.
Muito escaladores fazem a via “à vista” com grande esforço para depois,
com repetições e mudanças de movimentos, perceberem uma maneira bem mais
fácil do que as primeiras tentativas. Durante as mudanças de movimentos,
o escalador utiliza-se de melhores posicionamentos (técnica). É óbvio
que existem aquelas vias que são impossíveis de encadear se não for por
meio da força, mas isso não quer dizer que a técnica deva ser deixada de
lado.
A parte técnica está dividida nos seguintes assuntos: o uso das mãos, o
uso dos pés, posicionamentos estáticos e movimentos dinâmicos. Veremos
abaixo o uso das mãos e os nomes das pegadas:
Pegada Fechada: Este tipo de pegada é uma das mais comuns em
escalada, onde as ponta dos dedos ficam quase encostadas na palma da
mão. Seu uso é muito comum em agarras pequenas e “regletes”.
Pegada aberta: Essa pegada também é muito comum na escalda. É
parecida com a fechada, mas os dedos formam um arco maior. É usada na
pegada de agarras grandes, lacas e abaulados que tem espaço para as
pontas dos dedos.
Pinça: É uma das pegadas mais odiadas pelos escaladores. Use as
pontas dos dedos ou a mão inteira para “pinçar” a agarra. Aplicam-se
normalmente nas agarras que se projetam da pedra, ou em alguns tipos de
fendas.
Estendida ou Primata: Também é uma das pegadas “malditas”. A mão
toda forma um arco (principalmente os dedos). Usa-se principalmente em
abaulados. A aderência da mão na rocha é fundamental.
Invertida: Como o nome indica, se usa com a palma da mão voltada
para cima, pode ser com as pontas dos dedos ou com a mão inteira (como
uma pegada aberta). As agarras são normalmente lacas de cabeça para
baixo.
Monodedo, bidedo e tridedo: Pegadas feitas com um (monodedo),
dois (bidedo) ou três dedos (tridedo), usando as falanges. São usadas
normalmente em buracos pequenos (os famosos “heucos” ou “pockets”
americanos).
Entalamento das mãos: O entalamento das mãos se dá com os dedos,
com a mão inteira aberta ou com a mão fechada (de punho). Usa-se tanto
em fendas verticais, como em fendas horizontais. A mão colocada dentro
da fenda deve ser “torcida” para gerar forças opostas e garantir a
pegada. É comum a proteção das mãos com esparadrapo, para evitar
ferimentos. |
|
 |
| |
|
 |
| |
|
PARTE III
Uso dos Pés na Escalada Esportiva
Dando continuidade na explicação da parte técnica, veremos o uso dos pés
na escalada esportiva.
Existem várias maneiras de usar os pés, vamos ver as mais utilizadas:
Interno: o mais usado na escalada, usa a parte do solado onde se
encontra o dedão, na parte interna do pé. Usado na maioria das agarras.
Externo: usa a parte do solado onde se encontra os dedinhos, na parte
externa do pé. Usado também na maioria das agarras, sendo mais
solicitado devido a algum tipo de posicionamento.
Bico: como o nome já diz usa-se o bico do solado, bem onde se encontra o
dedão. Muito usado em agarras muito pequenas e em buracos.
Aderência: utiliza-se a maior parte do solado possível da parte anterior
do pé, de preferência com o pé voltado de frente para a rocha (pé
chapado), mas há exceções. Utilizado em lugares sem agarras ou com
abaulados.
“Foot Hook” (Pé em gancho): muito usado na escalada esportiva, se usa o
calcanhar ou a parte superior do pé, podendo ser o bico ou o peito do
pé. Muito usado em saídas de teto, em tetos e arestas.
Entalamento de pé: O entalamento de pé se dá de bico, de pé inteiro
longitudinal (usando as laterais do pé), e de pé inteiro transversal
(usando o bico e o calcanhar), e é usado normalmente em fendas. |
|
 |
| |
|
 |
| |
|
PARTE IV
Posicionamentos Estáticos na Escalada Esportiva
Posicionamentos estáticos são sempre movimentos feitos com um dos braços
“travado” (o braço flexionado e imóvel). Agora vamos dar nomes aos
posicionamentos estáticos mais comuns:
Pé Alto: Como o nome já diz, trata-se do lado interno de um pé numa
agarra na altura da coxa e praticamente o escalador fica sentado nesse
pé. O lado do pé é sempre o oposto do lado da mão. Serve para um melhor
equilíbrio, para se ganhar altura e ajudar na travada do braço.
Flagging (Embandeirar): Esse posicionamento é para evitar o efeito
“porta aberta” àquela rodada desagradável do corpo. O "flagging" se dá
de duas maneiras, a primeira com o lado interno do pé na agarra e com a
mão do mesmo lado do pé segurando em outra, coloca-se então o lado
externo do outro pé apoiado na parede entre a perna que está na agarra e
a parede ou somente cruzando por trás da perna que está na agarra.
E a segunda com o externo de um pé em uma agarra e a mão do lado oposto
do pé usado em outra agarra, estica-se então a outra perna apoiando o
lado interno do pé na parede, chegando-se ao equilíbrio.
Drop knee (Joelho dobrado): É um dos posicionamentos mais técnicos,
possibilita o escalador a alcançar uma agarra bem alta com um dos braços
bem travado. Consiste em o lado interno do pé em uma agarra, o mesmo
lado da mão em outra agarra e o outro pé, com o lado externo na agarra e
o joelho dobrado para baixo.
Figure 4 (Figura 4): Outro posicionamento muito técnico, que requer
flexibilidade e boa pegada para as mãos. Uma perna fica apoiada em cima
do braço oposto ao lado da perna e o pé da perna que está sobre o braço
se engancha na outra perna, que está sobre uma agarra ou com o pé
chapado ou ainda, no caso do teto apenas apoiado com o peito do pé no
teto.
Este posicionamento foi criado para evitar um movimento dinâmico, em
particular o bote (este movimento será explicado em outra parte). |
|
 |
| |
|
 |
| |
|
PARTE V
Movimentos Dinâmicos na Escalada Esportiva
Movimentos dinâmicos são aqueles que têm como característica sempre um
deslocamento ou um impulso de uma agarra para outra. Vamos ver agora os
nomes mais comuns:
Body tension (Corpo esticado): este movimento parece com um bote, mas a
diferença é que neste movimento o pé não sai da agarra e seu corpo fica
praticamente todo esticado.
Bote: nesse movimento o escalador praticamente salta de uma agarra para
outra, seu corpo fica todo no ar, podendo estar durante o movimento com
uma mão na agarra ou não.
"Dyno" ou crucifixo: neste movimento o escalador usa praticamente todo a
sua envergadura, é um movimento com os braços esticados horizontalmente
ou diagonalmente. Nas competições, os escaladores tentam evitá-lo ao
máximo, pois é um movimento que se gasta muita energia.
Dead point (ponto morto): é um movimento difícil, mas que era uma
característica do famoso escalador Wolfgang Güllich. Consiste em se
movimentar lentamente para cima para a próxima agarra, somente com os
apoios de um pé e de uma mão, até perder o equilíbrio para trás, mas
nesse momento de perda de equilíbrio você domina a agarra.
Aí esta a teoria da parte técnica, agora cabe a você colocá-la em
prática. |
|
 |
|